A dor, a solidão e a liberdade de ser invisível

Por Fabiane Corrêa Monteiro

Tornei a ver As vantagens de ser invisível, a história de um menino solitário chamado Charlie, marcado por traumas de infância e pelo suicídio de seu único e melhor amigo, a que teremos acesso por meio das cartas com que seus dias depois de seu retorno à escola serão narrados a um amigo fictício.
O título por si só já chama atenção, pois ser invisível realmente tem as suas vantagens: a liberdade de que o ser “invisível” dispõe, por exemplo, é única, pois pode ser aquilo que realmente deseja ser e não precisa esconder aquilo que realmente é, enquanto os “visíveis” precisam se submeter a uma porção de regras e de normas, a fim de manterem sua visibilidade — no filme, as pressões do meio impedem até mesmo que um dos personagens “visíveis”, um atleta muito popular, viva sua sexualidade e sua verdadeira orientação sexual. Em contrapartida, os “invisíveis” são pessoas muito solitárias: tendem a caminhar sozinhas, já que poucos estão dispostos a acompanhá-las — as pessoas em geral não querem que isso, dar-se bem com um excluído, interfira em sua reputação, em sua imagem perante os demais.  Tudo muda de figura, no entanto, quando o “invisível” tem a sorte de conhecer outros seres dotados da mesma invisibilidade, como acontece no filme com Charlie: é quando você se torna visível às pessoas que valem a pena, e todo o resto, aquilo que os outros pensavam, diziam e faziam, deixa de ter importância.

Charlie em um dia muito especial (o garoto de terno), entre seus novos amigos.

Deste filme, destacaria, ainda, a importância da atenção dedicada por um professor a Charlie, sugerindo-lhe leituras, emprestando-lhe livros e corrigindo suas análises (atividades propostas com a intenção de incentivá-lo a escrever); também destacaria as relações abusivas vividas por muitos dos personagens, porque “nós aceitamos o amor que acreditamos merecer” (palavras de seu professor depois replicadas pelo protagonista à garota por quem estava apaixonado); além disso, há todo um registro de época, já que a história se passa no início da década de 90, e consequentemente há muitas (e belas) referências musicais — dentre elas, várias menções a Smiths, uma das bandas que na década de 80 melhor expressaram a dor, a solidão e a liberdade de ser invisível.


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