Lady Bird: A
hora de voar
Por Fabiane Corrêa Monteiro
“Você culpa seus pais por tudo, isso é
absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer”
Legião Urbana
(Pais e filhos)
Sempre que eu ouço, entre as inúmeras reclamações que as pessoas
costumam fazer de seus pais, a clássica “nunca disseram o quanto me amavam”,
lembro ao reclamante que nem sempre o amor será demonstrado em palavras: há
quem tenha dificuldade em manifestar seus sentimentos por meio de palavras, ou
pense não ter deixado dúvidas depois de tanto ter sido feito.
Lady Bird é uma menina e como tal vive
todos os dilemas da adolescência. Em seu inconformismo exacerbado, detesta o
próprio nome, Christine McPherson, e a cidade em que vive, na Califórnia.
Parece também detestar o bairro em que mora, e chega a mentir seu endereço aos
colegas de famílias mais abastadas. Prestes a concluir o Ensino Médio, planeja,
sem que sua mãe saiba, seguir os estudos em Nova Iorque. A mãe, com quem tinha
uma relação conflituosa, quer que ela permaneça na Califórnia, pois mantê-la em
outro estado exigiria gastos que não teria condições de sustentar. As
dificuldades financeiras, no entanto, não são o único motivo para a mãe desejar
que fique — para uma mãe como Marion McPherson, destas que não têm os filhos
para abandoná-los à própria sorte no mundo, seria doloroso demais ver a filha
que tanto amava partir.
Mãe e filha em Lady Bird: A hora de voar.
O que acontece depois, todos que um dia
já deixaram a casa de seus pais tendo como objetivo trabalhar ou estudar em
outro local já sabem: diante da impessoalidade de uma cidade grande como Nova
Iorque, na qual era apenas mais uma, Lady Bird reconhece o valor de tudo aquilo
que havia decidido deixar para trás. Já não detesta o próprio nome, herança de
seus pais. Também não detesta mais seu local de origem. Eram agora suas
referências.

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