Beleza oculta
Por Fabiane Corrêa Monteiro
Outro dia vi que a televisão aberta reprisaria Beleza oculta, o filme em que um publicitário interpretado por Will Smith, atormentado pela morte de sua filha, passa a escrever cartas à Morte, ao Tempo e ao Amor, cobrando-lhes respostas pelo que se sucedera.
Estranho como, cada vez que assistimos a um mesmo filme, atentamos para detalhes que antes nem havíamos notado. Desta vez, não foi o personagem interpretado por Will Smith que prendeu minha intenção, foi a personagem secundária interpretada por Kate Winslet, a colega de trabalho do protagonista que tenta ser mãe e sente que seu tempo está se esgotando. “Eu decidi ir contra a ciência e parece que o tempo finalmente me alcançou”, diz ela ao garoto que no filme representa o Tempo (Jacob Latimore).
Bem dizem que o que torna uma obra de arte comovente é o grau de identificação que ela é capaz de despertar. Há quem provavelmente tenha se identificado com o sofrimento do protagonista de Will Smith, que não aceita a morte de sua filha; há quem provavelmente tenha se identificado com o personagem de Edward Norton, desde o fim de seu casamento cada vez mais distante da filha, para quem em breve se tornaria um estranho; há quem provavelmente tenha se identificado com o personagem de Michael Peña, que sofre de uma doença grave e teme logo ter de deixar sua família; identifiquei-me com a personagem de Kate Winslet, pois também sinto como se o tempo estivesse se esgotando para mim.
Alguns críticos afirmam que estes dramas foram explorados de modo muito raso e superficial no filme; acredito que o longa tenha atingido seu objetivo: levar-nos a pensar sobre a ação inexorável do tempo, do amor e da morte sobre nossas vidas, e sobre a beleza oculta que pode haver por trás de todas as coisas que existem neste mundo, mesmo aquelas mais tristes.
“Nada está realmente morto se você olhar do jeito certo”
A Morte (Helen Mirren)




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